Inclusão e cuidado caminham juntos para transformar a rotina de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede municipal de ensino de Aracaju. Desde abril de 2025, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), desenvolve o projeto “TEA – Uma ação acolhedora na escola”, que proporciona acompanhamento multiprofissional a estudantes com diagnóstico de TEA dentro do ambiente escolar.
Em fase piloto, a iniciativa contempla 100 alunos em duas unidades de ensino: 60 na Escola Municipal de Ensino Fundamental Oviêdo Teixeira, no bairro Olaria, e 40 na Escola Florentino Menezes, no bairro Areia Branca. Voltado para crianças que já possuem laudo e que, por diferentes motivos, não acessavam a rede de atendimento especializado, o projeto atua diretamente nas dificuldades apresentadas em sala de aula, promovendo avanços no desenvolvimento cognitivo, social e emocional. O acompanhamento é realizado por uma equipe formada por psicopedagoga clínico-institucional, psicólogo, pediatra e nutricionista.
A psicopedagoga clínico-institucional da SMS, Leise Assis, destaca que a proposta busca suprir lacunas no acesso ao cuidado. “O projeto vem para sanar e dar um fôlego diante das dificuldades que essas crianças têm na escola, especialmente em relação aos atrasos no desenvolvimento e às dificuldades em sala de aula”, afirmou. Ela explica que os estudantes são organizados em grupos conforme faixa etária e necessidades específicas, a partir de sondagens realizadas pela equipe. “A gente faz o nivelamento dos grupos e trabalha para potencializar o desenvolvimento com atividades lúdicas e estímulos direcionados”, acrescentou.
As atividades incluem práticas psicomotoras, estímulos à linguagem, leitura, escrita, além de ações voltadas às habilidades socioemocionais, contribuindo para o avanço no processo de aprendizagem e maior autonomia no cotidiano escolar. Na avaliação da coordenadora pedagógica da Emef Oviêdo Teixeira, Eliane Santos, o projeto representa um reforço importante para a comunidade escolar.
“É um alento e só acrescenta serviços à comunidade. A demanda é muito grande e esse suporte acaba sendo essencial para as crianças e para a escola”, ressaltou. Ela também chama atenção para os desafios enfrentados em áreas mais vulneráveis. “Sabemos que é uma demanda que só cresce, então, o contato com esse suporte acaba sendo essencial para quem já chega com o diagnóstico e enfrentam desafios para manter o acompanhamento”, completou.
Embora a iniciativa seja recente, famílias atípicas já percebem o impacto desse acompanhamento dentro no universo escolar. Mãe de um aluno de 7 anos acompanhado pelo projeto, Daniele Barros relata mudanças consistentes no comportamento do filho. “Antes ele era mais introvertido, não interagia. Hoje já brinca, se comunica melhor e interage com outras crianças”, conta. Para ela, o acompanhamento dentro da escola tem sido fundamental. “Sem esse suporte seria muito mais difícil para ele progredir”, considerou.
Ainda que se tenha como eixo principal a integração entre saúde e educação, o projeto também aciona a assistência social de forma pontual, sempre que são identificadas demandas específicas durante o acompanhamento. Nesses casos, a equipe realiza encaminhamentos para garantir acesso a benefícios e direitos socioassistenciais.
Rede de atenção
A iniciativa integra a rede de cuidado ofertada pela Saúde de Aracaju. A assistência e o acompanhamento inclui o Centro Especializado em Reabilitação (CER II) que realiza terapias multidisciplinares, como fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia e fonoaudiologia. O acesso ao serviço ocorre por meio das Unidades de Saúde da Família, mediante encaminhamento médico. Além disso, a SMS tem convênio com o Centro de Integração Raio de Sol (CIRAS) e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), ampliando as possibilidades de atendimento.
Além das ações desenvolvidas, a Prefeitura de Aracaju também publicou edital de credenciamento para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) interessadas na prestação de serviços especializados e multiprofissionais. A medida amplia a oferta de atendimento para crianças e adolescentes com TEA e outras condições do neurodesenvolvimento, elevando a capacidade de cerca de 800 para 1.900 usuários.
Foto: Ascom/SMS