Estudo realizado por aluna de Educação Física aponta ganho na independência funcional após 16 semanas de treinamento estruturado
Levantar-se da cadeira sem apoio, caminhar com segurança dentro de casa ou até vestir uma camiseta com facilidade são ações simples, mas fundamentais para o dia a dia de uma pessoa idosa. Quando essas tarefas passam a exigir mais esforço ou deixam de ser realizadas com autonomia, os impactos ultrapassam o aspecto físico, afetando diretamente a independência e a qualidade de vida.
Com o objetivo de compreender melhor como esse processo afeta o organismo, a estudante de Educação Física da Universidade Tiradentes (Unit), Victória Abreu, desenvolveu uma pesquisa de iniciação científica para analisar de que forma um programa estruturado de exercícios influencia a autonomia funcional de idosos. O estudo foi conduzido entre junho de 2024 e maio de 2025, sob orientação dos professores doutores Estélio Dantas e Lúcio Costa, integrando o projeto Masterfitts e vinculado ao Laboratório de Biociências da Motricidade Humana (LABIMH).
“O envelhecimento populacional é uma realidade crescente em todo o mundo, trazendo impactos sociais e econômicos relevantes. Esse processo natural envolve alterações biológicas que comprometem diferentes sistemas do corpo, reduzindo a capacidade funcional, dificultando atividades cotidianas e aumentando o risco de quedas e outras complicações. Nesse contexto, a prática regular de exercícios físicos se destaca como uma das principais estratégias para promover saúde e preservar a autonomia funcional”, explica Victória.
Como o estudo foi feito
A pesquisa teve como foco avaliar a autonomia funcional de idosos inseridos em um programa estruturado de exercícios físicos com duração de 16 semanas, ou seja, um planejamento organizado quanto à frequência, intensidade e tipo de treino, voltado para resultados seguros e consistentes. Ao todo, 149 participantes foram recrutados em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de bairros de Aracaju. Inicialmente, foi realizada uma anamnese para identificar o perfil dos voluntários, sendo a maioria composta por pessoas entre 60 e 69 anos e com renda de até dois salários mínimos.
Para a avaliação da autonomia funcional, foi utilizado o protocolo do Grupo de Desenvolvimento Latino-Americano para Maturidade (GDLAM), que inclui testes como caminhada de 10 metros, levantar da posição sentada, levantar do chão, vestir e tirar camiseta e deslocamento dentro de casa. Após essa etapa inicial, os participantes passaram a realizar treinos duas vezes por semana na academia da Unit, com ênfase em exercícios de força.
Resultados e impactos
Segundo Victória, os resultados demonstraram avanços significativos ao longo da intervenção. “Observamos que, ao comparar os momentos antes, durante e depois do programa, houve melhora expressiva no desempenho dos participantes na maioria dos testes. Eles apresentaram mais agilidade ao caminhar, levantar da cadeira, se movimentar dentro de casa e até ao vestir e retirar a camiseta, além de evolução no índice geral de autonomia funcional”, destaca.
Os dados também indicaram progresso contínuo ao longo do período analisado. “Mesmo na comparação entre o durante e o após a intervenção, ainda foram observadas melhorias em alguns testes, o que reforça a eficácia do programa. A prática de exercícios resistidos gera efeitos positivos na autonomia funcional, favorecendo a independência nas atividades diárias e melhorando a qualidade de vida. O projeto contribuiu para ampliar a autonomia, a independência e o bem-estar dos idosos, evidenciando que o exercício regular é essencial para prevenir limitações funcionais”, ressalta.
Orientado pelos professores doutores Estélio Dantas e Lúcio Costa, este último também coordenador do projeto e integrante do Programa de Pós-Graduação em Saúde da Unit, o estudo reforça a importância da integração entre ensino, pesquisa e comunidade. “A pesquisa contribuiu para minha formação cidadã e profissional, ampliando minha atuação social e técnica em benefício da população idosa”, afirma. Com interesse em seguir carreira acadêmica, ela já planeja os próximos passos. “A expectativa é publicar artigos científicos e ampliar iniciativas que incentivem o envelhecimento ativo nas comunidades”, conclui.
Por: Laís Marques
