O IBGE divulgou nesta sexta-feira (25) o estudo “Evolução dos Indicadores não Monetários de Pobreza e Qualidade de Vida no Brasil com Base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF)”. O estudo foi divulgado em caráter ainda experimental e apresenta três índices, dois de pobreza multidimensional e um de vulnerabilidade multidimensional. Os índices levam em consideração cerca de 50 indicadores não monetários, divididos em seis dimensões: (1) moradia, (2) acesso aos serviços de utilidade pública, (3) saúde e alimentação, (4) educação, (5) acesso aos serviços financeiros e padrão de vida, e (6) transporte e lazer.
As pessoas são consideradas em situação de pobreza quando o estudo detecta perdas e privações de qualidade de vida equivalentes a pelo menos duas das seis dimensões avaliadas. Já a situação de vulnerabilidade existe quando são detectadas perdas equivalentes a, pelo menos, o tamanho de uma dimensão inteira dentre as seis dimensões consideradas. Para os efeitos do estudo, a pobreza é considerada mais grave do que a vulnerabilidade.
Em Sergipe, para o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM-NM), o indicador pontuava 12,4 pontos em 2008-2009. Em 2017-2018, ele marcava 3,1, o que sinaliza uma queda de 75% para o IPM-NM. No Brasil como um todo, a redução foi de 65%, passando de 6,7 no período 2008-2009 para 2,3 no período 2017-2018. Para Sergipe, a dimensão com maior impacto no IPM-NM de 2017-2018 foi a referente a acesso a serviços financeiros e padrão de vida.
Para o Índice de Vulnerabilidade Multidimensional (IVM-NM), os valores são maiores. Em Sergipe, o IVM-NM marcava 22 pontos em 2008-2009 e passou a marcar 10 pontos em 2017-2018, sinalizando uma redução de 54,6%. No Brasil, a evolução foi de 14,5 pontos para 7,7 pontos, ou 46,9% de redução no IVM-NM. Para Sergipe, a dimensão mais determinante na magnitude do IVM-NM também foi a referente a acesso a serviços financeiros e padrão de vida.
Por fim, para o Índice de Pobreza Multidimensional com Componente Relativo (IPM-CR) leva em consideração comparações interpessoais em vez de pontos de corte para a definição de pobreza e de vulnerabilidade. Nesse caso, leva-se em conta a proporção da população que se encontra em pior situação do que a dela em termos de qualidade de vida, o que indica a natureza relativa do indicador. Em Sergipe, a evolução do IPM-CR entre 2008-2009 e 2017-2018 foi de 21,53 para 14,52. Em termos percentuais, a redução observada entre os dois períodos foi de 32,6%.
Em valores proporcionais, o estudo divulgado pelo IBGE mostra que em 2017-2018 a proporção de pessoas com algum grau de pobreza em Sergipe era de 29,9%. Já a proporção de pessoas com algum grau de vulnerabilidade era de 76,4%. Para o Brasil como um todo, essas proporções ficaram em 22,3% e 63,8% respectivamente. As maiores proporções de pobreza e de vulnerabilidade foram constatadas no estado do Maranhão (58,1% e 93,3%, respectivamente). As menores proporções, por sua vez, estavam no estado de Santa Catarina (5,1% e 40,0%, respectivamente). Sergipe ocupava a 13ª posição entre os 27 estados no ranqueamento de proporção de pessoas com algum grau de pobreza e a 15ª posição para as pessoas com algum grau de vulnerabilidade.
