A interlocutores, o general Heleno diz que não comentará a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, porque não teve acesso ao depoimento
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do 8 de Janeiro (CPMI) já convocou dois generais para depor: Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e Braga Neto, ex-candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PL).
Heleno, com depoimento marcado para a próxima terça-feira (26), pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não ser obrigado a comparecer. No entanto, o ministro Cristiano Zanin não acatou o pedido da defesa pela ausência, mas autorizou o silêncio.
A interlocutores, o general diz que não comentará a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, porque não teve acesso ao que foi dito. O general também afirma que não participou de nenhum dos encontros citados pelo tenente-coronel.
Na delação premiada, Cid afirmou que Bolsonaro teria discutido uma minuta golpista em reuniões com os então comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. O nome de Heleno não aparece nos e-mails de convocação para as conversas.
Bolsonaro teria sido ameaçado de prisão
Durante a conversa, segundo o relato de Cid, o almirante Almir Garnier Santos, então comandante da Marinha, teria dito a Bolsonaro que as tropas da corporação estariam à disposição para cumprir as ordens do presidente.
Já o general Freire Gomes, que estava à frente do Exército, teria ameaçado prender Bolsonaro, caso insistisse no suposto plano golpista, segundo Cid. Nesta segunda-feira (25), o ministro da Defesa, José Múcio, disse que o almirante precisa se explicar.
“Conversei com o comandante. Nós lamentamos, a Marinha lamenta, que é mais um envolvido, mas tem consciência de que a Justiça precisa do depoimento dele para que os fatos sejam esclarecidos”, disse Múcio.
Aliados de Bolsonaro duvidam da versão de Cid
Bolsonaristas duvidam da versão de Cid e alegam que a fala dele tem a intenção de ajudar a fortalecer o Exército, instituição que ele integra. O ex-ajudante de ordens tem que provar o que afirma na delação. Já o ex-presidente nega qualquer tentativa de mudar o resultado da eleição.
Fonte: BAND
