A vacina contra a chikungunya do Instituto Butatan, em parceria com farmacêutica Valneva, recebeu a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), nessa segunda-feira (4), para ser fabricada no Brasil. A Butantan-Chik foi o primeiro imunizante contra doença a ser aprovado no mundo e recebeu o aval da Anvisa no ano passado.
De acordo com o instituto, a transferência de tecnologia vai facilitar a incorporação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS).
“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.
De acordo com os resultados do estudo sobre a vacina, publicados na revista científica The Lancet em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes. O imunizante, que é aplicado em dose única, manteve os níveis de proteção pelo período de seis meses.
Além disso, demonstrou um bom perfil de segurança, com eventos adversos leves e moderados, sendo os mais relatados dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre. Nos Estados Unidos, mais de 4 mil pessoas entre 18 e 65 anos receberam a Butantan-Chik.
No início do ano, a vacina passou a ser distribuída pelo SUS em municípios que registram grande incidência da doença, a partir de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde.
“Essa autorização reforça o nosso compromisso em parceria com o Instituto Butantan de proteger comunidades da América Latina contra a chikungunya. Cerca de 23 mil brasileiros já receberam a vacina como parte da campanha piloto, e possibilitar a fabricação e distribuição local é um marco crucial para oferecer esse imunizante tão necessário a populações de risco”, diz o diretor médico da Valneva, Juan Carlos Jaramillo.
Ainda que esteja liberada para a população entre 18 e 56 anos, ela não pode ser administrada em gestantes, imunossuprimidos e imunodeficientes por se tratar de uma vacina com vírus atenuado — ou seja, vivo mas enfraquecido.
Características da chikungunya
A chikungunya é transmitida pela picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti infectados com o vírus chikungunya (CHIKV). E, após a transmissão, ela pode evoluir em três fases: febril ou aguda (de 5 a 14 dias), pós-aguda (de 15 a 90 dias) e crônica (caso os sintomas persistam por mais de 90 dias).
Dentre os principais sintomas, segundo o Ministério da Saúde, estão dores musculares, febre, manchas vermelhas pelo corpo, náuseas e vômitos, dores intensas nas articulações, prurido (coceira) na pele, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dor de garganta.
Fonte: O GLOBO
