Desigualdade salarial entre gêneros pode explicar menor acesso a alimentos
Nos últimos dois anos, o Brasil viu a fome sofrer um salto significativo nas residências comandadas por mulheres: foi de 11% em 2020 para 19% entre 2021 e 2022, segundo dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19. O cenário é pior entre as mais pobres. Nos domicílios com renda familiar per capita menor que um salário mínimo e meio, considerando o mesmo período, o índice foi de 18% para 34%. Para a senadora por Sergipe Maria do Carmo Alves (PP), os números revelam uma realidade trágica, e afirmou que devem servir de alerta para gestores e legisladores.
“Mesmo se tratando de uma problemática terrível, que afeta todos os gêneros, as mulheres sofrem mais, assim como em diversas outras situações sociais. No Brasil, o acesso à renda é determinante para o acesso à alimentação, mas a desigualdade de salários entre homens e mulheres torna também desigual a segurança alimentar”, afirmou a parlamentar. Ela lembrou que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022, a diferença de rendimentos entre homens e mulheres chegou a 20,5% em 2021, superior aos 19,7% de 2020.
No entendimento de Maria, “é crucial que a batalha pela redução da fome no País ataque, de forma veemente, a desigualdade salarial”. A senadora explicou que as políticas públicas e ações contra a insegurança alimentar no Brasil não podem ser pensadas e executadas sem análise de prioridades críticas, e que precisam ser associadas a medidas em campos que contribuam, de algum modo, no combate à fome. “A promoção e incentivo à capacitação e inserção qualificada das mulheres no mercado de trabalho, aliados ao emprego de instrumentos que garantam e fiscalizem a igualdade salarial, são um exemplo”.
FOME ENTRE NEGROS
O 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar mostrou, ainda, que a fome atingiu mais residências comandadas por pessoas pretas ou pardas durante a pandemia. A insegurança alimentar grave saltou de 10% para 18% entre os anos de 2021 e 2022. Já entre brancos, o percentual passou de 6% para 10%. De acordo com o levantamento, a cada 10 lares chefiados por pessoas negras de ambos os gêneros, 6 possuem algum grau de insegurança alimentar, a mesma proporção dos domicílios que têm mulheres como responsáveis.
Maria do Carmo Alves ressaltou que a desigualdade de renda também ocorre na dimensão da raça. Citando um estudo do IBGE de 2021, que considerou dados de 2012 a 2020 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), a parlamentar destacou que a média salarial de pretos e pardos equivale a 57% do rendimento de brancos. “Em 2020, por exemplo, o salário médio de negros foi de R$ 1.764. Já o de brancos foi de R$ 3.056. Além disso, pesquisas demonstram que mulheres negras sofrem com salários ainda mais baixos. Isso tem reflexo no acesso adequado à alimentação, que é um direito previsto na Constituição Federal”, enfatizou.
Por Assessoria de Imprensa
