
“Historicamente a mulher é o ser mais cuidadoso com a saúde. E isso é o que a gente tem que preservar, porque com a entrada da mulher cada vez mais forte no mercado de trabalho e ainda respondendo pelas tarefas domésticas, ela pode guardar menos tempo pra se cuidar”. A afirmação, em tom de alerta, é do médico e infectologista da Secretaria de Estado da Saúde (SES) Marco Aurélio, nesta véspera do Dia Internacional da Mulher, celebrado em oito de março.
O alerta do infectologista chega no momento em que a Secretaria de Estado da Saúde, através do Programa de infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Ais), contabiliza números que sugerem que há mulheres descuidando-se. Somente até 1º de março deste ano, sete novos casos de HIV foram descobertos em mulheres, pouco mais de um terço do total detectado em homens (24 casos).

Estudos comprovam que as doenças infecciosas e transmissíveis são mais freqüentes no homem por toda sua história, cultura e comportamento e, segundo Marco Aurélio eles sempre estiveram mais expostos, tanto às doenças infecciosas, que são as relacionadas ao trabalho, principalmente aos mais ligados à área rural, como a leishmaniose e chagas, como as ISTs, estas pelas práticas sexuais dos homens.
“Mas, nas últimas décadas houve mudança neste cenário. A gente tem, principalmente as ISTs uma alta frequência também nas mulheres, incluindo aí o Papiloma Vírus Humano, que é o HPV, que pode causar desde verrugas genitais, que é uma infecção, até o carcinoma de colo de útero, que é um dos principais cânceres em mulheres, e uma dos principais causa de mortalidade mais precoce em mulheres”, comentou o médico.
Informou que tem aumentado no mundo todo e aqui não é diferente, algumas outras ISTs, como a sífilis. “Tanto que a gente tem na última década um aumento dos casos em gestante, o que significa dizer que a sífilis está aumentando na mulher e isso traz um risco de transmissão para o feto e causar a sífilis congênita. Esse é um alerta, que as mulheres também estão expostas às doenças sexualmente transmissíveis”, reforçou.
Marco Aurélio enfatizou que há a necessidade de os profissionais de saúde estarem alertas pra oferecerem sempre os testes disponíveis na rede de saúde pública. “Enquanto na década de 80 a gente tinha 10 casos de Aids em homem para um em mulher, hoje os números estão mais próximos: dois a três casos em homem para um em mulher. Então, é importante compreender que essas doenças que a gente antes achava que tinha prevalência maior apenas em homens, elas têm uma importância epidemiológica e clínicas nas mulheres atualmente”, reforçou o infectologista.
Segundo o médico, um grande problemas às vezes é a mulher sentir que não está sob risco, bem como os profissionais também acreditarem nisso, por entenderem que não houve uma exposição. Mas, Marco Aurélio assegura que o fundamental é que a mulher não pare de olhar para si, para sua saúde, física e mental. É estar alerta para os sinais do seu corpo.
Por Ascom/SES