
O voluntário que pretende doar sangue e tem tatuagem, precisa esperar um ano após o procedimento para retornar ao serviço de doação. Consciente de seu compromisso com o próximo, Juciana Santos Oliveira é doadora há pouco mais de cinco anos e, quando decidiu fazer sua primeira tatuagem, buscou as orientações corretas junto ao Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), unidade da Fundação de Saúde Parreiras Horta (FSPH), que integra a Rede Estadual de Saúde.
Ela conta que foi durante a entrevista da triagem clínica, procedimento realizado com o profissional da área de saúde no hemocentro, que esclareceu essa dúvida. “Ele me explicou que não tem problema ter tatuagem e ser doador. E que quando tatuamos algo em nosso corpo é preciso dar uma pausa na doação durante um ano. Essa pausa é uma precaução para evitar o risco de contaminação do sangue doado”, disse nesta segunda-feira, 16, enquanto fazia uma nova doação na unidade.
José Anselmo Pereira é professor de educação física e doa sangue regularmente, pelo menos a cada três meses e, também, precisou suspender a doação por um período de um ano, a cada nova tatuagem. “Por uma medida de segurança busquei mais informações sobre essa situação. Fiz minhas tatuagens em um local legalizado e que utiliza todo o material descartável, para assim não ter dificuldade e poder voltar a doar sangue normalmente”, completa.
De acordo com a gerente de Coleta, enfermeira Florita Aquino, o prazo de um ano cumpre os regulamentos técnicos da Coordenação Geral de Sangue e Hemocomponentes do Ministério da Saúde (MS), que orientam o serviço de doação de sangue no Brasil. Ela ressalta ainda que o período de inaptidão temporário é necessário, em função do contato do corpo com acessórios usados no momento da tatuagem. “O serviço de coleta e fracionamento do sangue segue esses critérios técnicos para garantir a segurança dos pacientes que necessitam fazer uso de transfusão sanguínea em seus tratamentos”, confirma.
Conforme ainda a profissional, 12 meses é o tempo considerado seguro para que a pessoa desenvolva os anticorpos que são detectados no exame da Aids, realizado após cada doação. Para diminuir os riscos de contaminação, é feita ainda uma entrevista para identificar se o candidato à doação faz parte de outros grupos de exclusão temporária ou definitiva. “Comportamento sexual de risco com vários parceiros, uso de drogas ou viagens para países com epidemias são outros exemplos que podem excluir um voluntário da doação de sangue”, detalha Florita, ao salientar que após a doação, a bolsa de sangue segue para um laboratório onde são realizados exames para detectar infecções como Chagas, Hepatite, Sífilis e Aids.