O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula (PSD), assumirá o comando do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) após convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi confirmada pelas duas pastas à EXAME nesta segunda-feira (30).
Ele substituirá Carlos Fávaro (PSD), que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. Na sexta-feira (27), Lula oficializou a exoneração de Fávaro, publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
A mudança faz parte de um rearranjo político no governo e mantém o PSD à frente de uma das principais pastas da Esplanada. A escolha de De Paula foi construída nos bastidores para garantir continuidade administrativa e equilíbrio político na base aliada.
Segundo fontes a par do assunto, o nome do empresário Carlos Augustin, conhecido como Teti, chegou a ser considerado para o cargo.
Natural de Rondonópolis e atual assessor especial do Ministério da Agricultura, ele é filiado ao PT e representaria uma linha de continuidade da gestão de Fávaro. No entanto, sua eventual nomeação reduziria o peso político do PSD dentro da pasta, o que acabou favorecendo a escolha de André de Paula.
A transmissão de cargo no Ministério da Pesca está prevista para quarta-feira (1º). Na ocasião, De Paula passará a função ao secretário-executivo da pasta, Édipo Araújo, que desponta como principal nome para assumir o comando.
Fontes ouvidas pela EXAME apontam que outras alternativas também são avaliadas, como a possível nomeação do ex-deputado estadual José Lacerda. Ele é segundo suplente de Fávaro e pai de Irajá Lacerda, atual diretor executivo do Ministério da Agricultura.
No mesmo dia, André de Paula tomará posse como novo ministro da Agricultura. A movimentação foi definida diretamente por Lula, que conduziu as articulações para a troca nas duas pastas.
A expectativa é que Irajá Lacerda também deixe o cargo para disputar uma vaga de deputado federal pelo PSD, o que reforça o contexto eleitoral que impulsiona as mudanças no governo.
Troca na Agricultura
A saída de Carlos Fávaro já era considerada certa dentro do governo, diante de sua intenção de concorrer ao Senado por Mato Grosso. Com isso, o PSD passou a se movimentar para manter o controle da pasta.
O Ministério da Agricultura é uma das estruturas mais estratégicas do governo federal, com forte peso político e interlocução direta com o agronegócio. A indicação de um nome do próprio partido evita disputas internas e amplia a influência da sigla em áreas-chave da administração federal.
A mudança representa um salto significativo na estrutura sob responsabilidade de André de Paula. O Ministério da Pesca, recriado em 2023 após o retorno de Lula ao Planalto, conta com cerca de R$ 270 milhões destinados a custeio e programas.
Já o Ministério da Agricultura dispõe de um orçamento total de aproximadamente R$ 12,1 bilhões, incluindo despesas administrativas, políticas públicas e previdência dos servidores.
Além disso, a pasta reúne órgãos estratégicos, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com mais de R$ 4,8 bilhões em orçamento, e o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira, com cerca de R$ 7,4 bilhões.
Fonte: EXAME
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
