
Há um ano, Aracaju foi o primeiro município a receber da Secretaria Nacional da Segurança Pública (Senasp) a Base Comunitária de Videomonitoramento, um ônibus totalmente equipado que, desde a sua instalação, tem auxiliado significativamente para o crescimento dos índices positivos da segurança na cidade, sobretudo referente ao transporte público.
Ainda que a segurança pública não seja uma atribuição da administração municipal, desde o início da gestão, como uma das vertentes do Planejamento Estratégico da Prefeitura de Aracaju, o prefeito Edvaldo Nogueira viu na Guarda Municipal de Aracaju (GMA) potencial para ir além da proteção do patrimônio, com isso, aquisições como o ônibus de videomonitoramento foram essenciais para o desenvolvimento do órgão que, com os avanços, tem contribuído sobremaneira para as demais forças de segurança do Estado e, consequentemente, para o bem estar e tranquilidade da população.

O ônibus conta com nove telas para monitoramento, sala de reunião, além de um gerador elétrico que poderá ser acionado manualmente para evitar falhas no acionamento automático. A base trabalha com o auxílio de equipamentos que captam todos os detalhes das áreas e acompanha a rotina dos locais para auxiliar na segurança e na definição de políticas públicas para a capital. Toda a comunicação é realizada de forma direta com a Central de Videomonitoramento da GMA, que armazena as imagens coletadas.
“A aquisição da base móvel foi um fator preponderante. A Prefeitura de Aracaju já tinha adquirido na gestão passada, mas estava parada por trâmites que não haviam sido feitos junto ao Ministério da Justiça. Na atual gestão, fizemos os contatos com Brasília e conseguimos, mesmo antes da doação. Hoje, ele já foi doado e pertence ao patrimônio da Prefeitura”, explica o secretário municipal da Defesa Social e Cidadania, Luis Fernando Almeida.
Itinerante
A base é um dos braços essenciais no conjunto de ações do projeto “Aracaju Segura”, o quarto item do Planejamento Estratégico da gestão que envolve, ainda, a qualificação de servidores, mobilização de comunidades, entre outros pontos para integrar os serviços voltados para a segurança da população da capital.
De acordo com o coordenador da GMA, subinspetor Fernando Mendonça, a base funciona de forma esporádica, em dias e horários em que é identificada uma demanda maior para o policiamento preventivo. “Atuamos, principalmente, nos terminais de integração da cidade. Três guardas trabalham como operadores das câmeras, mas, estão à disposição nos locais caso surja ocorrência. Nós utilizamos as imagens para identificar pessoas, para acompanhar condutas e, através dessas ações, podermos nos antecipar, prever o que pode acontecer e agir antes. Essas imagens ficam salvas no ônibus, que tem capacidade para armazená-las durante um mês e meio, e depois deixamos salvas no nosso equipamento na GMA, para caso haja necessidade por parte de outros órgãos de segurança”, explicou.
Ainda segundo o subinspetor, a principal característica da base é que ela é itinerante. “Se transforma de acordo com a conduta das pessoas. A base tem uma dinâmica muito grande. Cada local tem uma dinâmica diferente, então, procuramos adequar a operação de acordo com a dinâmica de cada um. Desta forma, temos maior precisão na avaliação e consequente medidas preventivas”, reforçou Mendonça.
Terminal Seguro
A chegada da base veio para incrementar a operação Terminal Seguro, o que potencializou os resultados positivos. O último levantamento realizado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) aponta que o número de assaltos a ônibus na capital continua em queda. A análise apresenta uma redução de 83,04% no primeiro semestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2016, ano em que foram registradas as maiores taxas de assaltos no transporte público.
Os dados revelam que no período compreendido entre os primeiros seis meses de 2019 foram contabilizados 165 assaltos a ônibus, uma média de menos de uma ocorrência por dia. Já no mesmo período de 2016, a média diária era de quase oito assaltos, sendo registradas, entre janeiro e junho daquele ano, 973 ocorrências.
“Os resultados mostram a preocupação da Prefeitura em dar mais qualidade e segurança ao transporte público e que todo o trabalho de intensificação das ações foi uma medida implantada com sucesso pela gestão do prefeito Edvaldo Nogueira”, salientou o coordenador da GMA.
A efetivação do ônibus de videomonitoramento veio para atender a quem mais necessita, como destacou o secretário Luis Fernando. “Estamos falando das pessoas que mais precisam porque quem usa o transporte público é a população mais carente. Foi uma determinação do prefeito Edvaldo Nogueira que não era para a Guarda se limitar apenas à questão do patrimônio, mas, ajudar na segurança pública, se integrar à SSP – Secretaria de Estado da Segurança Pública -, e foi isso que fizemos”, frisou.
Para o secretário, mesmo a GMA sendo considerada pequena, se comparada à guarda de outras capitais, tem sido referência para demais cidades brasileiras. “Isso se dá por três fatores primordiais. Primeiro, a diretriz dada pelo prefeito, o que ele quer da Guarda, o que a Guarda tem que fazer para a população. Segundo, o excelente trabalho que tem sido desenvolvido pelos guardiões, inclusive, com diversas capacitações. Os guardas municipais de Aracaju são extremamente preparados, extremamente profissionais, capazes. Em qualquer lugar do mundo, quando você une determinação política, administração correta e bem feita e profissionais bem capacitados e preparados para a função que exercem, não tem como dar errado”, considerou Luis Fernando.
O estudante Jamerson Modesto sentiu os efeitos da presença do ônibus. Ele foi assaltado duas vezes, uma delas em 2016 e outra em 2017. “Percebi que a Guarda está muito mais presente nos terminais de lá para cá e isso, com certeza, dá uma tranquilidade maior. Antes, arrastões eram recorrentes nos ônibus e nos terminais, o que não vemos mais com frequência”, afirmou.
A mesma sensação de segurança passou a ter o usuário Flávio Silva, que também já passou pela experiência de ser assaltado. “Só por ter a presença no terminal já dá um conforto. Preciso pegar quatro ônibus para ir e voltar para casa todos os dias, então, teoricamente, tenho um risco maior, mas, com essas operações, já não sinto o receio de antes”, disse.
Para Maria de Lourdes Tavares, que faz quase o mesmo trajeto que Flávio todos os dias, até o clima nos terminais é diferente. “A gente não ouve mais as pessoas falarem que sofreu assalto, não como antes. Acredito que a Guarda tem agido corretamente. As pessoas se sentem mais confortáveis”, pontuou.
Fonte: AAN