
Silvânia dos Santos, 40, é moradora do município de Itabaiana e está internada há 5 meses com problemas renais, fazendo hemodiálise. Ela está de alta para tratamento ambulatorial há um mês e quinze dias, mas, por falta de vagas na clínica conveniada do seu município, ela acaba ocupando um leito na Ala 100. “É com muita tristeza que espero por uma vaga na clínica e ela nunca chega. Meus filhos precisam de mim perto deles e o mais novo já está com febre emocional pela demora em voltar pra casa. Eu queria que pelo menos as clínicas de Aracaju ofertasse uma oportunidade enquanto que a de Itabaiana não abre”, enfatizou a paciente.
O mesmo acontece com o paciente José Raimundo Costa, 48, que está há 14 dias, internado. “Eu estou me sentindo bem melhor, sou do município de Riachão do Dantas, esperando vaga na clínica para ir pra casa, espero que não demore e que a gente possa passar um natal tranquilo reunidos com nossas famílias”, disse.
Assim como eles, outros 31 pacientes renais também compartilham dessa mesma angústia no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), pois já estão prontos e de alta ‘teórica’, porém, para que essas altas aconteçam as clínicas ambulatoriais conveniadas com o SUS e com os municípios devem ofertar as vagas para continuarem o tratamento dos pacientes. De acordo com o superintendente do Huse, Luís Eduardo Correia, esse problema foi agravado há um mês com o fechamento da clínica do município de Itabaiana, por questões sanitárias.
“Eles são renais crônicos e não podem sair porque vão ter comprometimento de saúde. Só sairão se tivermos a garantia dessas vagas ambulatoriais. Hoje nós temos 33 pacientes que poderiam estar de alta, mas os mantemos internados para não ficarem desassistidos, porém, não é o ideal. São 33 leitos que poderiam ser utilizados para outros pacientes do Pronto Socorro. Os pacientes crônicos, agudos clínicos, acabam sendo tirados do convívio das suas famílias, isso é um transtorno social”, declarou.
Ao todo, são 130 pacientes nas especialidades da vascular, neurocirurgia, ortopedia e hemodiálise aguardando no Huse pela continuidade do tratamento. Nas três primeiras situações, os pacientes aguardam uma vaga no Hospital Cirurgia para serem operados. No caso da hemodiálise os renais crônicos poderiam estar em casa, submetendo-se ao tratamento ambulatorial. Mas, todos estão no Huse, reforçando a superlotação.
Por Ascom/SES