O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado de Sergipe (SINDISAN), após reunir-se com o corpo técnico e operacional da Companhia de Saneamento de Sergipe (DESO), na segunda-feira, 27 de abril, vem a público restabelecer a verdade sobre os recentes episódios de desabastecimento e as graves acusações de “sabotagem” proferidas pela concessionária Iguá e pelo Governo do Estado.
Abaixo, detalhamos os pontos que desconstroem a narrativa oficial e expõem a tentativa de criminalizar trabalhadores para mascarar falhas de gestão:
- A Matemática do Desabastecimento: A Verdade sobre o Sistema
A tentativa de atribuir a falta de água na Zona de Expansão, Mosqueiro, Santa Maria, Robalo e adjacências à quebra de um único registro beira o absurdo técnico. O sistema que abastece essa região é composto por adutoras provenientes de três frentes: Poxim, São Francisco e Cabrita.
- A Realidade dos Números: A rede supostamente “vandalizada” vem da Estação da Cabrita, que representa menos de 20% do volume destinado àquela área.
- A Falha Ocultada: Os outros 80% do abastecimento dependem do sistema de bombeamento conhecido como E3. É de conhecimento técnico que a Iguá enfrentou problemas críticos nas bombas do sistema E3 e não conseguiu realizar os reparos em tempo hábil.
- Conclusão: É impossível que o bloqueio de uma rede secundária (Cabrita) cause o colapso total em um sistema de rede dupla onde a fonte principal (E3) deveria estar operando.
- Desequilíbrio Operacional e Perda de “Know-how”
Especialistas e técnicos da DESO são categóricos: o sistema entregue à Iguá era plenamente balanceado. Anos de experiência permitiram o ajuste fino de pressões e manobras de válvulas que garantiam o equilíbrio hídrico da Região Metropolitana.
Desde que a Iguá assumiu, esse trabalho de calibração foi perdido. Relatos indicam que válvulas estão sendo abertas e fechadas sem o rigor técnico necessário, ignorando as posições de equilíbrio que mantinham a rede pressurizada. O desabastecimento é, portanto, fruto de uma curva de aprendizado deficitária e da falta de habilidade operacional da nova concessionária.
- A “Sabotagem” de um Equipamento Deteriorado
O SINDISAN teve acesso a registros fotográficos do equipamento danificado. As imagens revelam uma válvula em avançado estado de deterioração, o que torna tecnicamente impossível afirmar que o bloqueio foi fruto de ação humana deliberada em vez de fadiga de material ou falta de manutenção.
As declarações da Iguá, endossadas pelo Governo, de que seriam necessários “conhecimentos específicos e chaves adequadas”, tentam lançar uma sombra de suspeição injusta e criminosa sobre os trabalhadores do saneamento. Causa estranheza que esse “vandalismo” tenha ocorrido justamente na rede de menor impacto — uma conveniência narrativa que serve como a “desculpa perfeita” para o fracasso da empresa em sua fase inicial.
Causa estranheza que esse “vandalismo” tenha ocorrido justamente na rede de menor impacto — uma conveniência narrativa que serve como a “desculpa perfeita” para o fracasso da empresa em sua fase inicial.
- Em Defesa da Dignidade do Trabalhador da DESO
O SINDISAN não aceitará que suspeitas infundadas recaiam sobre os empregados da DESO, que hoje são os principais atingidos pela política de desvalorização e precarização promovida pelo Estado.
“O trabalhador da DESO aprendeu, historicamente, a garantir o abastecimento mesmo com recursos limitados. Sofremos por anos com o vandalismo real — roubo de fios e transformadores — e nunca permitimos que a população chegasse ao estado de privação em que se encontra hoje.”
- Dois Pesos e Duas Medidas
É lamentável observar a postura do Governo do Estado. Enquanto os trabalhadores da DESO sempre operaram com dedicação, enfrentando o sucateamento institucional, nunca contaram com a “defesa feroz” que o Executivo agora dedica à Iguá. O governo parece mais preocupado em proteger o prestígio da empresa privada do que em garantir o direito fundamental da população ao acesso à água.
Providências
O SINDISAN informa que provocará todos os órgãos de fiscalização e instâncias jurídicas competentes para acompanhar o inquérito que apura a suposta sabotagem. Exigimos uma investigação técnica isenta, que não sirva de cortina de fumaça para a incompetência administrativa que hoje castiga o povo sergipano.
Aracaju/SE, 28 de abril de 2026.
SINDISAN
União e Luta em Defesa do Saneamento Público e dos Trabalhadores.
