Com a saída de ministros que disputarão as eleições de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa por uma ampla reformulação. Ao todo, 18 titulares deixam seus cargos, abrindo espaço para uma nova composição marcada pela promoção de números dois das pastas e por ajustes políticos na base aliada.
A seguir, veja quem são os novos ministros e o perfil de cada um:
| Ministério | Quem sai | Destino na campanha | Quem entra |
| Casa Civil | Rui Costa | Senado na Bahia | Miriam Belchior |
| Secretaria de Relações Institucionais | Gleisi Hoffmann | Senado no Paraná | indefinido |
| Fazenda | Fernando Haddad | Governo de São Paulo | Dario Durigan |
| Planejamento e Orçamento | Simone Tebet | Senado em São Paulo | Bruno Moretti |
| Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços | Geraldo Alckmin | Vice-presidência | Marcio Elias Rosa |
| Agricultura e Pecuária | Carlos Fávaro | Senado em Mato Grosso | André de Paula |
| Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar | Paulo Teixeira | Deputado federal em São Paulo | Fernanda Machiavelli |
| Educação | Camilo Santana | Coordenação da campanha de Lula | Leonardo Barchini |
| Transportes | Renan Filho | Governo de Alagoas | George Santoro |
| Portos e Aeroportos | Silvio Costa Filho | Deputado federal em Pernambuco | Tomé Franca |
| Integração e do Desenvolvimento Regional | Waldez Góes | Senado no Amapá | indefinido |
| Cidades | Jader Filho | Deputado federal no Pará | Antônio Vladimir Lima |
| Meio Ambiente e Mudança do Clima | Marina Silva | Senado em São Paulo | João Paulo Capobianco |
| Pesca e Aquicultura | André de Paula | Vai para a Agriculrua | Rivetla Edipo Araujo Cruz |
| Direitos Humanos e da Cidadania | Macaé Evaristo | Deputada estadual em Minas Gerais | Janine Mello dos Santos |
| Igualdade Racial | Anielle Franco | Deputada federal no Rio de Janeiro | Rachel Barros de Oliveira |
| Povos Indígenas | Sonia Guajajara | Deputada federal em São Paulo | Eloy Terena |
| Esporte | André Fufuca | Senado no Maranhão | Paulo Henrique Cordeiro Perna |
Fazenda: Dario Durigan
Atual secretário-executivo da pasta, Durigan já assumiu o comando após a saída de Fernando Haddad. Ele se tornou o número dois da Fazenda em junho de 2023. Mesmo em momentos de alta tensão entre Executivo e Legislativo — como nos embates sobre o aumento do IOF e a devolução da medida provisória que limitava o uso de créditos de PIS/Cofins— ele conseguiu manter abertos os canais de diálogo. A passagem posterior no setor privado, como chefe de políticas públicas do Whatsapp (inclusive no tenso período eleitoral de 2022), reforçou a capacidade de articulação.
Em um governo que nunca teve maioria estável no Parlamento, Durigan foi um dos personagens decisivos para viabilizar uma reforma tributária empacada há mais de três décadas e um ajuste fiscal baseado em medidas de reforço da arrecadação, mesmo com aversão declarada de boa parte dos deputados e senadores. Ele é descrito como ponderado e que se dedica a ouvir e estudar diferentes posições antes de decidir.
Educação: Leonardo Barchini
Secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini assume no lugar de Camilo Santana. Barchini é servidor público há pouco mais de 30 anos como analista em Ciência e Tecnologia sênior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e atuava como diretor da Organização de Estados Ibero-Americanos no Brasil (OEI) desde setembro de 2023 antes de entrar para o ministério.
Formado em Direito, ele chegou à atual gestão do MEC em julho de 2024 substituindo a ex-governadora do Ceará Izolda Cela (PSB), que deixou o cargo para disputar a prefeitura de Sobral (CE) e, mesmo perdendo o pleito, não retornou ao ministério.
Casa Civil: Miriam Belchior
Ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff, Miriam é vista internamente como peça-chave para o andamento dos projetos que o governo considera prioritários. Oficialmente número 2 da Casa Civil, ministério comandado por Rui Costa, Miriam Belchior tem uma atuação que vai além e passa por praticamente todo o Executivo
O canal direto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, trilhado pelas passagens em gestões petistas anteriores, abre caminho para decisões que ultrapassam detalhes técnicos de obras de grande porte e alcançam os detalhes de Medidas Provisórias (MPs) que serão enviadas ao Congresso. Nomeações para cargos importantes também passam por seu gabinete.
Planejamento: Bruno Moretti
Atual responsável pela Secretaria de Análise Governamental, Bruno Moretti é considerado um dos quadros mais promissores da equipe econômica. Ele assume com a missão de manter o planejamento orçamentário e acompanhar projetos estratégicos. Moretti é formado em economia pela UFF, cursou mestrado em Economia da Indústria na UFRJ e completou o doutorado na UnB. Atualmente, é doutorando em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp. Com uma longa carreira no serviço público, iniciada no Ministério do Planejamento, foi secretário executivo-adjunto da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff.
Agricultura: André de Paula
Deputado federal licenciado e então ministro da Pesca, André de Paula assume um dos cargos mais cobiçados da Esplanada. Sua nomeação atende à bancada do PSD e reforça a articulação política do governo com o Congresso. Pernambucano, André de Paula foi eleito para a Câmara dos Deputados pela primeira vez em 1998, mas se licenciou do cargo para assumir a secretaria Estadual de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco durante o governo de Jarbas Vasconcelos. Durante sua vida pública, o deputado, que é formado em Direito, também presidiu a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara. Em 2016, o deputado votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Desenvolvimento, Indústria e Comércio: Márcio Elias Rosa
Número dois da pasta, ele assume no lugar de Geraldo Alckmin, de quem é homem de confiança. Com a missão de dar continuidade às políticas industriais e comerciais, Márcio Elias Rosa também conquistou proximidade com o presidente Lula. Ao longo do mandato petista, acompanhou Lula em todas as viagens internacionais, representando Alckmin e o Ministério de Indústria e Comércio em roteiros no exterior.
Transportes: George Santoro
Secretário-executivo da pasta, George Santoro é promovido ao comando do ministério. Ele já atuava na gestão de projetos de infraestrutura e deve manter o ritmo de investimentos no setor. Auditor de carreira no Tribunal de Contas do Município do Rio (TCM-RJ), Santoro foi levado para Alagoas no início da gestão de Renan Filho como governador, e permaneceu à frente da Fazenda estadual durante todo seu mandato. Antes, ele havia passado cerca de um ano como subsecretário de Receita na secretaria de Fazenda do Rio, de agosto de 2013 a dezembro de 2014. Ele é réu em uma ação por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) por irregularidades em benefícios fiscais concedidos a uma rede atacadista.
Cidades: Antônio Vladimir Lima
Atual secretário-executivo, assume o ministério com foco na continuidade de programas habitacionais e de mobilidade urbana. Antônio Vladimir Lima é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (2002), mestre em Geofísica pela Universidade Federal da Bahia – UFBA concluído em 2007. Especializado em Gestão de Desenvolvimento Territorial pela Universidade Federal da Bahia – UFBA concluído em 2020.
Meio Ambiente: João Paulo Capobianco
Secretário-executivo e braço direito de Marina Silva, Capobianco é um dos principais nomes da agenda ambiental no governo. Sua gestão deve manter o foco em políticas de combate ao desmatamento e mudanças climáticas. Ele é fotógrafo, biólogo, pesquisador e ambientalista. Nasceu no dia 3 de janeiro de 1957 na cidade de São Paulo. Ocupou cargos importantes em Organizações Não Governamentais e no Governo Federal. Foi fundador e superintendente da Fundação SOS Mata Atlântica e fundador do Instituto Socioambiental. Entre 2003 e 2008, foi Secretário Nacional de Biodiversidade e Florestas e Secretário Executivo do Ministério do Meio Ambiente.
Desenvolvimento Agrário: Fernanda Machiavelli
Também oriunda da equipe técnica da pasta, Machiavelli assume com a missão de dar sequência às políticas voltadas à agricultura familiar. Fernanda Machiavelli tem mais de 10 anos de experiência em gestão pública, nomeada secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no governo Lula, anunciada pelo ministro Paulo Teixeira em 2023. Ela tem histórico como chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Presidência e do MDA na gestão de Patrus Ananias.
Portos e Aeroportos: Tomé Franca
Secretário-executivo da pasta, Tomé Franca será responsável por manter projetos de infraestrutura logística e concessões em andamento. Economista e gestor público, ele ocupava a Secretaria-Executiva do ministério e é um aliado histórico do ex-ministro Costa Filho, com trajetória focada em infraestrutura.
Esporte: Paulo Henrique Cordeiro Perna
Assume o ministério após a saída de André Fufuca. Ainda pouco conhecido do grande público, terá o desafio de manter políticas esportivas em ano eleitoral. A esposa dele, Renata Sousa Cordeiro, o substituiu em um cargo de alto escalão da Infra SA, empresa pública federal do setor de transportes, com salário de R$ 25,8 mil, quando ele deixou o cargo para virar secretário de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte.
Direitos Humanos: Janine Mello dos Santos
Nome técnico, assume a pasta com foco na continuidade das políticas de cidadania e direitos fundamentais. Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG), nomeada em setembro de 2024 como secretária-executiva do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Ela atua na gestão de políticas públicas de direitos humanos, proteção e inclusão social.
Igualdade Racial: Rachel Barros de Oliveira
Oriunda da equipe do ministério, dará sequência às ações de promoção da igualdade racial. Socióloga e pesquisadora brasileira, doutora pela UERJ, com experiência em desigualdade, políticas públicas e direitos humanos. Atualmente, atua como secretária-executiva do Ministério da Igualdade Racial (MIR), sendo um nome técnico chave na pasta desde 2023, com foco na manutenção de diretrizes voltadas à igualdade.
Povos Indígenas: Eloy Terena
Advogado e liderança indígena, Terena já atuava na pauta e assume com a missão de manter a agenda de demarcações e proteção de direitos. Ele construiu trajetória na defesa jurídica de direitos indígenas em tribunais nacionais e internacionais. Sua atuação inclui participação em debates sobre temas como demarcação de terras e garantias constitucionais.
Pesca e Aquicultura: Rivetla Edipo Araujo Cruz
Assume após a saída de André de Paula. É mais um nome técnico promovido dentro da estrutura da pasta. Engenheiro de pesca, especialista em aquicultura e funcionário público brasileiro, foi nomeado Secretário-Executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em julho de 2024. Com formação acadêmica (doutorado pela UFPA), ele construiu carreira no setor pesqueiro e ocupou diversos cargos de liderança no MPA.
Integração e Desenvolvimento Regional: indefinido
O governo ainda não anunciou o substituto para o comando da pasta, deixada por Waldez Góes.
Relações Institucionais: indefinido
Responsável pela articulação política, o ministério também segue sem definição. A expectativa é que o governo escolha um nome com maior peso político para o cargo.
Fonte: O GLOBO
Foto: Ricardo Stuckert/PR
